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ORIGENS


Existem poucos elementos tornados públicos quanto à origem desta povoação, há muitos anos designada de S. Caetano, nome que honra o padroeiro desde sempre venerado na sua Igreja.

A Freguesia de S. Caetano encontra-se situada no Concelho de Cantanhede, na zona fronteiriça do concelho de Mira, fazendo parte no Distrito de Coimbra e Província da Beira Litoral.

O que se sabe sobre esta povoação foi extraído de algumas enciclopédias, dicionários, ou escritos diversos sobre a origem das povoações e freguesias através da transmissão oral de geração em geração e, ainda, através de alguns romances nomeadamente o mais elucidativo, "Abelha na Chuva", da autoria de Carlos de Oliveira, escritor nascido na vizinha Freguesia de Febres.

A verdadeira origem desta pequena povoação S. Caetano. dever-se-á à formação de pequenos grupos de colonos vindos do Norte ou provenientes da região de Cantanhede (no início apelidada de "Cantoniede"), que foram atraídos às verdes e aráveis terras que hoje fazem parte dos 17,5 quilómetros quadrados desta Freguesia.

A primeira fixação destes colonos ocorreu, inicialmente, junto às Valas da Veia e do Corgo, e terão sido iniciadas cerca de meados do século XII.

Primeiro agricultores, mais tarde também moleiros, de ascendência vária, construíram pequenos moinhos junto dos cursos de água, de onde regavam as suas plantações hortícolas e as suas pastagens verdejantes. Vivendo predominantemente das moagens de cereais ( essencialmente o milho) estes moleiros transportavam pesados sacos de cereais e farinha com suas éguas ou jumentos, sendo conhecidos por estas bandas desde o século XIV. Cumpre registar que existiram na freguesia, até há bem pouco tempo, quase duas dezenas de moinhos, estando hoje apenas uns poucos a funcionar.

Este povo, desde sempre devoto à religião católica apostólica romana, cultivava as terras dos Condes de Cantanhede (os Marqueses de Marialva) e terras do Clero pertencentes ao Convento de Santa Cruz dos Frades Crúzios da Regra de Santo Agostinho.

Por dádiva dos Marqueses de Marialva, foi mandada construir uma Capela, por volta do Século XVI. Esta capela foi mais tarde ampliada para Igreja, onde desde sempre se venerou o padroeiro S.Caetano. A Igreja localizava-se na parte mais elevada e centralizada da povoação que veio a constituir- se como paróquia já no nosso século, em 1926.

Desde muito cedo, a região de S. Caetano era conhecida por constituir um pequeno aglomerado populacional com uma extensa área de areal. Inicialmente constituída por pequenas dunas e charcos, foi-se modificando com a plantação propositada de pinheiro bravo.

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CRUZEIRO VELHO - junto à PadariaAté aos fins do século XV a área de terreno hoje arável, correspondente a S. Caetano, era um areal com suas dunas que se foi modificando com a plantação de pinhal. Estas plantações tinham o objectivo de constituir uma pequena cortina natural contra os ventos e areias marítimas que sopravam na orla de Mira. Tinha também o objectivo de evitar a semeadura natural, (com a ajuda dos ventos), das castas de floresta marinha, árvores mais franzinas de pinheiro, que vingavam muito lentamente.

Os "biombos" de pinheiro bravo plantados nas Coutadas e terras Forenses dos Meneses, existentes em S. Caetano, foram em parte destruídos com as invasões Francesas. Posteriormente recompostas, por altura de 1912 - data em que S. Caetano recebe nomeação de Curato -, as florestas de pinheiro bravo, tornaram-se uma "moda", que foi também adoptada no Concelho de Mira, com o objectivo de proteger, as suas poucas terras aráveis.Teve, nesta altura, grande influência em Mira, o famoso regente florestal e agrícola, Alberto Rei.

A vala da Veia é o maior curso de água que atravessa S. Caetano, passando pela Varziela, Franciscas e Lírios e entra, no Lugar da Criação, junto aos moinhos do Dr. Lino. Nas suas margens, ou em zonas mais húmidas dos seus prados, nasciam naturalmente os lírios brancos, junto com outras ervas de pântano. O Lírio Branco (flor do lis), é planta mais nobre da nossa flora natural. Esta muito nobre e bela planta, pode também ver-se na lapela das imagem de S. Caetano e S.º António, existentes na nossa Igreja.

Ligado aos "Fejacos" estão os pinhais das "Coutadas", e os pinhais do "Olheiro", terrenos arenosos com pequenas elevações, que são atravessadas pelo designado "Valeirão", um pequeno vale com cerca de quatro metros de largura, situado no meio dos pinhais. Ali só passa água durante alguns dias mais chuvosos de Inverno. Entre os pinhais do "Olheiro" e o "Valeirão" existe um ponto estratégico de toda esta zona, que servia para orientação das pessoas há muitos anos. É chamado o "Talefe" e trata-se de uma torre construída em pedra, situada na parte mais alta dos pinhais das Coutadas. Esta torre chegou a ter dimensões muito altas, 6 ou 7 metros de altura, mas as suas quedas e posteriores reconstruções reduziram-lhe a altura, possuindo agora, apenas cerca de 3 metros.

No que toca à criação da freguesia civil, S. Caetano ascende ( Lei 95/85), conjuntamente com Vilamar, àquele estatuto em 1985, precisamente no dia 12 de Julho. Estas duas freguesias, quase que geminadas, tiveram na altura na pessoa do Padre Ramiro Moreira o elemento aglutinador que possibilitou a concretização, não só deste, mas de muitos outros sonhos.


In " O Caetanense"

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S.CAETANO - Concelho de CANTANHEDE - Distrito de COIMBRA


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